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10 StartUps que fazem da sua missão enfrentar o câncer de mama.

Cases do diagnóstico ao pós tratamento.

Por Débora Moretti


É muito comum a conversa sobre as causas genéticas para o câncer de mama. Talvez não seja nem exagero dizer que a importância desse câncer aproximou a genética da comunidade não científica, principalmente quando a atriz Angelina Jolie fez a retirada dos seios de forma preventiva. A decisão sobre a cirurgia se deu quando um teste identificou em seu DNA a presença de mutações no gene BRCA 1, associadas ao desenvolvimento do câncer de mama.


Mas 90% dos casos não possuem um fator genético direto, tipo uma mutação.


E vários desses fatores não são controláveis, como seria, por exemplo, o estilo de vida de cada um. Dentre fatores não exatamente controláveis está o fato de nascer mulher - para controlar, só com a dupla mastectomia mesmo. Homens também podem ter câncer de mama, mas são casos muito mais raros. Envelhecer também não é muito controlável, e o risco do câncer de mama, assim como vários outros, aumenta com o passar da idade.


Outros fatores que até são ligados à genética, mas tem alvos menos específicos ou mesmo desconhecidos, incluem a densidade do tecido mamário. Mais glândula e tecido fibroso, e menos gordura, estão relacionados à maior chance de desenvolvimento de câncer de mama. Aqui, a cereja azeda do bolo é que tecidos densos também dificultam a detecção precoce do tecido canceroso.


Pensando nesses 90% dos casos não ligados diretamente a mutações, juntamos nesse post empresas que lutam contra o câncer de mama a partir de diversas perspectivas, buscando resolver diferentes problemas associados à jornada contra o câncer.


Descoberta e diagnóstico


Todos sabemos (e se não sabemos, deveríamos saber) que prevenção é a melhor arma contra qualquer doença. Se não dá para prevenir 100%, o diagnóstico precoce salva vidas e diminui muito o sofrimento. O site Femtech Insider fez uma lista de startups dedicadas só ao diagnóstico precoce. A mais legal é a Discovering Hands, uma iniciativa europeia que reconheceu as capacidades únicas de mulheres com deficiência visual em perceber os menores nódulos. Eles treinam mulheres cegas para se tornarem Examinadoras Médicas Táteis e estão ativos na Áustria e Alemanha.


Nem tudo precisa de tecnologia, né?


Para detecções menos invasivas e 100% privadas, aí sim empresas usam da tecnologia para melhorar o diagnóstico. Soluções vão desde a aplicação de inteligência artificial aos exames como faz a Vara.ai até a construção de equipamentos totalmente diferentes, que não comprimem o seio e servem para todas as densidades, como no caso da Micrima.


A Micrima é uma empresa inglesa e a Vara nasceu em Berlim, em 2018. Só não pergunta de onde veio esse nome que pro falante de português fica meio esquisito xD.


>> Em outro post contamos a história de uma cientista que trouxe o diagnóstico para dentro da sala de cirurgia. Confira aqui!


O Brasil também contribuiu com sua dose de Inteligência Artificial para a luta contra o câncer! Originária de São Paulo, a Linda Lifetech oferece um software completo para equipes médicas darem diagnósticos cada vez mais precisos.


Tá, agora vamos falar de biotecnologia!


Tratamento


A imCheck Therapeutics já recebeu quase 200 Milhões de euros em investimento para desenvolver novas imunoterapias baseadas em na superfamília de Butirofilinas (no inglês, Butyrophilins - BTN) e BTN-like, proteinas de checkpoint, inicialmente focadas em células T gamma delta (γ9δ2). Aqui tem um artigo resultado da colaboração entre empresa e universidade que fala um pouco desses alvos super específicos e inovadores.


Só um ponto negativo aqui da imCheck: ela tem 5 pessoas na liderança e 20 pessoas nos conselhos, somando 25 parceiros. No total, 24 HOMENS, quase todos brancos, e UMA mulher.


Jura?!


Para além da imunoterapia “pura”, a combinação de anticorpos e drogas dá origem aos conjugados de anticorpos (no inglês, antibody drug conjugates) que busca entregar determinada droga apenas ao tumor, evitando o sofrimento das células não tumorais. A empresa Emergence Therapeutics se dedica aos tumores sólidos com alta expressão de Nectina-4.


Para comparar com a imCheck, a liderança da Emergence Therapeutics possui 22 pessoas, dentre as quais 3 mulheres. Uma delas está na gestão da empresa em si.


Yey.


Mas vamos aos outros casos!


As imunoterapias dão resultados incríveis, mas a quimio e radioterapias ainda são o tratamento mais utilizado. E eles são cheios de efeitos colaterais, incluindo enjoo e perda de apetite - chegando a levar os pacientes à desnutrição. A empresa Savor junta tecnologia própria à equipe de nutricionistas oncológicos para criar perfis nutricionais personalizados que levam em conta o diagnóstico, os medicamentos, os efeitos colaterais e as preferências alimentares de cada paciente.


Diminuir os efeitos colaterais também pode ser resultado da parte que encapsula os medicamentos ingeridos. A Véloce Corporation criou um encapsulamento inteligente, o sistema SmartTabs, que permite o controle de exatamente quando e onde os produtos farmacêuticos são liberados no corpo - usando um smartphone. Essa solução ainda está em desenvolvimento e a empresa recebeu o último aporte em 2018, quando estava se preparando para iniciar testes em animais. Pode ser uma realidade ainda longe do mercado…


No meio da tsunami que é esse tratamento, ainda tem o sofrimento financeiro. Alguns contam com o SUS, outros com planos de saúde e outros ainda podem contar com a Vivor. A Vivor é uma plataforma baseada em nuvem que conecta pacientes a assistências financeiras que eles precisam. Eles se equiparam com programas de assistência financeira executados por organizações farmacêuticas e fundações sem fins lucrativos.


Outra plataforma de auxílio durante o tratamento é a Pink!. Para acompanhar e dar suporte a todos os envolvidos na luta contra o câncer de mama, a plataforma alemã Pink reúne informações importantes para pacientes, profissionais da saúde e também familiares e amigos. Os médicos podem até “prescrever” a Pink a pacientes, onde eles encontrarão toda a ajuda que precisam, de dúvidas sobre diagnóstico a como gerir a vida com câncer - tudo em diferentes formatos como podcasts, vídeos e textos.


Pós tratamento


Para finalizar essa lista, temos a Lattice-Medical, uma empresa francesa dedicada à reconstrução da mama retirada em consequência de tumores. Fundada em 2017, a startup faz impressões 3D, personalizadas, de implantes mamários absorvíveis. A ideia é produzir uma espécie de câmara, onde tecido adiposo autólogo vai ser inserido e ao longo do tempo promover a reconstrução da mama.


São diversas as perspectivas de enfrentamento ao câncer de mama e apoio às pacientes e seus familiares. As empresas criadas são quase todas baseadas em ciência, em sua maioria spin-offs que saíram dos laboratórios para ganhar o mundo. E precisamos de mais e mais cientistas empreendedores!


Foi assim também que criamos a iBench. Deixamos a bancada para dar suporte à ciência através do iBench Market, o marketplace dedicado às compras laboratoriais. Para saber mais, veja aqui o que aprontamos.




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