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  • Foto do escritorMiguel Alves

Por mais cientistas empreendedores, fazendo ciência para o mundo.

Por Débora Moretti

Tem coisa mais legal do que ver um resultado positivo depois de um método bem aplicado?


Pois é, não é só na bancada que vemos experimentos dando certo, mas também na geração de empresas de biotecnologia e cientistas empreendedores. Empresas filhas de universidades, baseadas em tecnologia e ciência, nascem na maioria das vezes por incentivo do ambiente universitário - e empresas como a Ecra biotech e a Magtech são exemplos disso.


E não é apenas um comentário em sala de aula que pode despertar o interesse e fomentar a criação das chamadas spin offs, empresas cujo embrião se desenvolve em laboratórios e centros acadêmicos.


É necessário um conjunto de ferramentas como workshops, disciplinas, auxílio financeiro e apoio comunitário, com seus respectivos métodos avaliativos, para que uma Spin off ganhe asas e decole.


Conversamos com o Fábio, co-fundador da ECRA Biotech e com o Marcel, co-fundador da Magtech, sobre suas empresas e suas áreas de atuação e dá um calor no coração ouvir essas histórias de aprendizado e crescimento.




ECRA Biotec - uma empresa filha da USP.


Conta o Fábio que a ECRA nasceu em uma aula de empreendedorismo na pós graduação em biotecnologia. Seu futuro sócio Robson era expert em produzir Taq Polimerases (enzimas para replicação do DNA) e viu uma oportunidade em produzir e vender enzimas para os laboratórios. Um fator de sucesso para a empresa foi o engajamento dos professores quanto aos produtos produzidos por eles. As enzimas de alta fidelidade eram capazes de performar (bem) melhor do que os produtos importados, fazendo com que a indicação de clientes se tornasse uma boa fonte de novos compradores.


Mas não foi só a capacidade de fabricar enzimas que motivou os sócios a criarem a ECRA (ou Time Biotechnology, na época da disciplina de empreendedorismo). O grande problema por trás é a falta de acesso de pesquisadores brasileiros a insumos e reagentes de qualidade. A demora para conseguir achar e comprar produtos, a longa espera para que produtos importados cheguem e a decepção de receber um produto comprado, mas que chega estragado por sua longa permanência na alfândega, aguardando liberação. Essa inquietação faz parte da motivação e molda o propósito da ECRA biotec.


O primeiro produto da ECRA foi lançado em três meses. Esse DNA de inovação e rápido lançamento de produtos no mercado permanece até hoje, e recheou o portfólio da empresa com 10 produtos biotecnológicos novos até o final de 2020. Um dos mais recentes é a extração de ácidos nucleicos com beads magnéticas, cuja pesquisa e desenvolvimento do produto foi feito todo dentro da empresa. A rotina empreendedora caiu muito bem aos sócios, cujo desenvolvimento pessoal e profissional é contínuo e sempre impactado pelo ecossistema em que habitam.


Um dos fatores que alavancou a empresa foi a entrada de um sócio investidor, já com experiência em outras empresas, que não somente colocou dinheiro na empresa, mas também a mão na massa. A empresa foi efetivamente criada, tornou-se mais madura, criando sua marca e firmando seu posicionamento. A pandemia também deu uma forcinha: com a escassez de produtos biotecnológicos no mercado, a ECRA conseguiu conquistar a atenção da mídia e de grandes empresas.


E agora mais um desafio está em andamento: através de uma parceria com a Merck Life Sciences, a empresa está se adequando a diferentes ISOs, profissionalizando seu padrão de qualidade. Aqui a parceria com grandes empresas traz muito mais do que clientes e investimento - traz uma maturidade para condução de negócios essencial para a continuidade da empresa.


É nesse estágio também, que a Magtech, mais uma empresa baseada em ciência, nascendo dentro do ambiente universitário, se encontra.


Magtech - inovando a partir de partículas magnéticas


A Magtech, criada em 2017, aposta na potencialidade do uso das nanopartículas magnéticas e quantum dots seja na pesquisa científica, seja como diagnóstico e tratamento para o paciente.


Conquistando parcerias, prêmios e contratos desde 2020, a empresa tem sido modelo em inovação, levando à cabo o que Shawn Carbonell, um cientista empreendedor, defende nesta entrevista ao Crunchbase:


[Scientists should] Get their news and findings the fuck out of the lab and into the real world so we can help patients. So it’s all about helping patients and helping founders help patients.


A Magtech é especialista na produção de compostos nanoestruturados, conhecimento que veio de anos de pesquisa do Marcel Martins, CEO & CTO da Magtech. E nessa trajetória, desenvolvendo desde inovadores tratamentos para o câncer, à inovação na indústria de alimentos, certamente a Magtech tem espalhado e comunicado sua pesquisa e seu potencial. Biotecnologia é um setor quente, que tem recebido investimentos bilionários, principalmente a partir da pandemia de COVID-19, o que torna o ambiente bem competitivo. Assim, perguntamos ao Marcel como ele vê o posicionamento brasileiro em relação a tecnologias desenvolvidas em outros países.


Grande defensor da indústria nacional, o que também é parte do seu trabalho na ANBIOTEC (Associação Nacional de empresas de Biotecnologia), Marcel acredita que, em termos de produção tecnológica, o Brasil é bastante competitivo. Ele enxerga a Magtech sem nada a perder em relação às concorrentes internacionais (que são poucas, na verdade, pela novidade da tendência). O grande desafio brasileiro, porém, é ultrapassar esse vale da morte entre produção laboratorial e produção industrial devido à falta de infraestrutura disponível no Brasil. Então os esforços do time em conseguir uma planta própria são prioridade.


Mas chegar a essa conclusão e ter a visão dessa necessidade, não é trivial. Para fazer essa transição entre ser pesquisador e ser empreendedor, o time da Magtech, composto por cientistas, passou por uma série de programas de incubação e aceleração, justamente para receber o treinamento que lhes faltava. Como o Marcel conta para uma entrevista no canal Cientista Empreendedor, durante esses treinamentos a proposta da empresa foi totalmente reformulada, a medida em que hipóteses iniciais foram refutadas, principalmente no que tange mercado e cliente potencial.


Mais um experimento que deu certo.


ECRA Biotec e Magtech são spin offs universitárias que elevam o poder da indústria biotecnológica nacional. Seus produtos podem ser - claro - encontrados no iBench Market, O marketplace para laboratórios. O próximo experimento que fica, porém, é: Você está preparado para tanta inovação?




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