Igor Scliar
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  • Foto do escritorJuliana Domingues

Soro fetal bovino: existem alternativas?

Atualizado: 30 de jun. de 2022

Praticamente toda cultura de célula animal cresce na presença de soro fetal bovino (SFB) em seu meio de cultura.


Aplicado há décadas na pesquisa in vitro como suplemento ao meio basal, o SFB é fonte rica de proteínas, ácidos graxos e uma série de estimulantes de crescimento.


Por ser um produto de alto custo agregado, que ainda suscita discussões éticas sobre sua obtenção, ou simplesmente por ter origem animal, diversos grupos de pesquisa se dedicam a buscar alternativas para o soro.


Enquanto as alternativas não são tão populares, confira soro fetal bovino da CultiLab no iBench Market.



Ciência vegana?


A questão de origem animal, para além da discussão ética, pode ser um porém para pesquisas feitas com células humanas, que tenham algum propósito de tratamento e terapia.


Um grupo de Taiwan e Singapura publicaram recentemente sobre o uso lisado de plaquetas humanas como substituto do SFB no cultivo de células humanas, cujo poder indutório de propagação celular parece ganhar atenção na literatura.


Assim, cientistas preocupados com a definição de melhores métodos para experimentos em vitro têm discutido tecnologias que possam substituir o soro fetal bovino nos meios de cultura de forma mais abrangente.


O professor Gerhard Gstraunthaler do departamento de fisiologia da Universidade de Innsbruck, na Áustria, publicou um artigo de revisão em 2003 sobre tecnologias alternativas para o soro fetal bovino no cultivo celular. Desde proteínas animais retiradas de adultos, até soros vegetais, diversas tecnologias e possibilidades são discutidas.


Mais recentemente, em 2010, um grupo de cientistas europeus, incluindo o prof Gstraunthaler, resumiu as discussões de um workshop realizado em 2009, em Copenhagen, em uma nova revisão, que inclusive dá guidelines para a produção de um meio de cultura livre de soro.


A revisão de 2010 reforça que a busca de um meio livre de soro é ainda mais justificada pela necessidade de se assegurar a qualidade da pesquisa.


Não existe controle fino da composição do soro fetal bovino e variações continentais, sazonais, ou mesmo de lote para lote não são incomuns e passam batido na produção.


Além disso, segundo os autores, a possibilidade de contaminação viral em produtos de derivação animal, mesmo em produtos comercializados, pode ser bastante alta, com estudos mais antigos indicando de 20 a 50% de contaminação.


Se todos os seus experimentos até aqui foram feitos com SFB, fica um pouco difícil mudar.


Para esta situação, veja soro fetal bovino no iBench Market.


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Menor quantidade de soro pode ser também uma alternativa.


Sem ser substituição, mas talvez representando uma prática mais rápida de ser implementada, a redução da quantidade de soro em cultivos in vitro tem sido considerada.


Um grupo brasileiro da Universidade Estadual Paulista investigou a maturação de oócitos bovinos em diferentes concentrações de soro no meio de cultura.

Os autores argumentam que modificações citoplasmáticas e nucleares não foram encontradas em concentrações tão baixas como 3,5%. Sim, células bovinas em meio bovino, sem maiores investigações moleculares, mas a ideia está lançada.


Mas se você se interessa mesmo sobre a substituição de derivados animais, confira a seguir as recomendações para o desenvolvimento de um meio livre de soro:

  • Ao desenvolver um meio livre de SFB, comece com um apropriado meio basal. Uma mistura 50:50 (v / v) de DMEM e Ham’s-F- 12, suplementado com ITS (insulina, transferrina e selênio) foi usado com sucesso em numerosos estudos.

  • Quando a glutamina é usada, ela deve ser adicionada em uma concentração de 2–4 mM. Também Glutamax I ™ (L-Ala-L-Gln) pode ser suplementado para algumas linhas de células.

  • Suplemente com fatores de crescimento específicos do tipo celular, hormônios, vitaminas, oligoelementos e lipídios em qualquer lugar necessário.

  • Preste atenção à osmolaridade.

  • Para alguns estudos ou tipos de células, proteínas específicas podem ser adicionados.

  • Alguns ácidos graxos essenciais, não presentes no meio basal, poderão ser necessários.

  • De preferência, não devem ser usados ​​antibióticos.

  • Para alguns tipos de células e culturas primárias, um substrato para facilitar a aderência celular pode ser usado. Muitas formulações sem soro requerem um pré-revestimento das placas de cultura.

  • Para biorreatores e culturas de perfusão, um protetor de força de cisalhamento (Pluronics F68) pode ser adicionado.

  • Adapte cuidadosamente as células ao novo meio.

  • Sempre verifique se o desempenho das células tem alterado e se os desfechos do estudo são afetados.

  • Quando tiver sucesso, compartilhe sua formulação com os colegas, e por meio de bancos de dados de cultura de células existentes.

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